O Prossumidor de eletricidade

O Prossumidor de eletricidade

Prossumidor, exatamente isso, uma mistura de consumidor e produtor de eletricidade. Este fenômeno já vem ocorrendo mais fortemente na Europa e nos EUA, mas aqui no Brasil já temos inúmeras instalações, principalmente de painéis solares, que já mudaram a relação de apenas consumidor para também produtor de energia.

Existem alguns tipos de prossumidores: residenciais que produzem eletricidade nas suas casas, com forte participação dos painéis fotovoltaicos nos telhados, produtores comerciais, cuja atividade principal não é a geração de energia, mas possuem geração de energia que jogam para a rede e instituições públicas como escolas e hospitais.

O aumento no número de prossumidores se deu pela forte queda nos preços da tecnologia de geração de energia alternativa, como a solar e a eólica, por exemplo e a alta nas tarifas de energia.

A lucratividade de uma instalação fotovoltaica depende do custo de aquisição de energia da distribuidora com que o consumidor (prossumidor) esteja alocado, mas em algumas regiões, o prossumidor pode ter o investimento retornado em poucos anos, 5 a 8 anos, por exemplo.

Desafios para o sistema

Porém, enquanto o prossumidor consegue baratear sua conta de luz, a proliferação de novos produtores de energia de forma descentralizada traz maior desafios para o gerador tradicional, bem como as companhias de distribuição de energia que operam a entrega física ao consumidor por suas redes de cabeamento.

Prosumidores podem mudar drasticamente o sistema de energia. Energia solar fotovoltaica pode se tornar tão disruptivo quanto o microcomputador e o celular foram para seus respectivos setores.

Integração dos prossumidores de energia no sistema elétrico

Assim como outras fontes de energia renovável, a energia do prossumidor é intermitente – depende se há ou não condições favoráveis de sol ou vento disponíveis – e, portanto, requerem mais reservas no caso de não haver vento ou sol. Por um lado, isso cria o problema de gerenciar o sistema elétrico no caso de haver muita energia disponível, e por outro, exige capacidade de geração quando há pouca energia solar ou eólica disponível. Isto pode siginificar que investimento em tecnologia da informação e comunicações, smart-grids, smart meters e um mecanismo de distribuição mais flexível pode ser necessário. Mas pode também significar em menor quantidade de linhas de transmissão e estações sendo construídas.

Prossumidores deixando as distribuidoras

O aumento nos custos de energia, devido aos custos de transmissão passarem a ser divididos por cada vez menos consumidores, cria um incentivo de mais pessoas se tornarem prossumidores. Isso eventualmente pode trazer um círculo vicioso, quanto mais e mais pessoas decidem se tornar prossumidores para eles próprios, tornando a possibilidade de se tornar um prossumidor cada vez mais vantajosa. Este poderia especialmente ser o caso de pessoas e empresas começarem a sair da distribuidora e pararem de pagar a transmissão de energia de forma conjunta. No entanto, sair completamente da alimentação de energia pela distribuidora por hora não parece ser uma solução tão viável, visto que a distribuidora pode funcionar como uma forma de estocar energia para o futuro (no caso dos créditos de energia quando há sobras de geração) e não parece ser a opção mais viável neste momento.

No Brasil, existe uma legislação bastante nova sobre geração distribuída e ainda poucas instalações residenciais e comerciais que possam intervir de forma muito intensa o modelo de hoje, porém, com o possível crescimento dos prossumidores nos próximos anos, novos desafios para o setor serão colocados à prova. Muita coisa ainda a acontecer.