A variação do PLD e como isso impacta a precificação de energia

A variação do PLD e como isso impacta a precificação de energia

PLD, na verdade, é uma derivada de quanto custa a operação do sistema naquele momento e reflete, de certa forma, o que está previsto de despacho termoelétrico e hidrelétrico para a próxima semana de operação em seus patamares leve, médio e pesado. O conjunto dos preços semanais irá determinar os preços de energia mensais que serão tomados como referência de preços para a energia do chamado mercado SPOT, ou preços de curto prazo do Mercado Livre de Energia que geram o rebalanceamento dos agentes em termos de sobras e déficits.

Obviamente o consumidor livre e consumidor especial agentes do Mercado Livre de Energia fazem contratos de longo prazo para se proteger da volatilidade do preço SPOT que pode variar entre pouco mais de 30,00 até mais de 500,00 reais por MWh. Esta volatilidade depende de vários fatores, mas dentre os mais importantes, destacam-se as condições de consumo de energia, a disponibilidade de oferta hídrica dos reservatórios e os despachos das termoelétricas.

 
A decisão de contratação dos consumidores do Mercado Livre de Energia no sentido de evitar grandes impactos no custo de produção faz com que a necessidade de compra e venda de energiano mercado spot seja apenas marginal, como uma forma de recompor eventuais diferenças de planejamento de consumo, comprando e vendendo poucas unidades de MWh para rebalancear os contratos.

Neste movimento de sobras e déficits o consumidor livre compra ou vende de forma mensal com a referência do PLD pagando um valor de spread positivo ou negativo, dependendo da oferta e demanda daquele mês. O ideal é buscar a compra no curto prazo apenas para situações que realmente fujam de um controle de planejamento prévio, visto que a volatilidade pode gerar um risco desnecessário para o consumidor.

Chegando ao final do ano, o preço SPOT se estiver muito alto, indicando que a produção de energia está muito cara naquele momento, sendo este acontecimento motivado por várias razões, como por exemplo: não choveu o esperado, a curva de consumo projetado aumentou e existe uma projeção maior do PIB para os próximos ano, etc. Esse valor de PLD mais alto acaba influenciando a curva futura de preços praticados ao consumidor no ano seguinte, ou seja, acaba influenciando as curvas de médio prazo, provocando uma alta nos preços ao longo de todo o ano. O PLD é um ajuste de preço mensal, mas representa a referência de preço para o ano seguinte.

O preço SPOT do mercado livre de energia é um preço de ajuste de sobras e déficits mas também representa um variável importante para os preços do ano seguinte. No longo prazo, o Brasil atravessa ao menos 1 período úmido a cada ano e que podem trazer os preços de energia para baixo ou para cima.

Hoje, a precificação de longo prazo tende a ser o custo marginal de expansão  que representa quanto custa construir uma nova usina no futuro, ou seja, ao invés de comprar a energia neste momento, quanto seria optar pela construção de uma nova usina, considerando o custo de financiamento, de produção, manutenção, etc.

Também a curva de retomada de consumo, pode trazer alterações ao preço de energia. Quanto maior a atividade industrial, maior o consumo de energia e maior serão os preços. Visto a capacidade instalada de consumo, principalmente da indústria antes do período de recessão econômica, o retorno a altos volumes de carga pode ser rápido, assim que a economia responder positivamente.

Fatores de hidrologia na formação de preços do Mercado Livre de Energia

A cada ano durante o período úmido (dezembro a março ocorrem as maiores precipitações), as chuvas caem nos grandes reservatórios e geram segurança de geração de energia para os meses seguintes que serão de período seco ou com muito poucas chuvas. Bons períodos úmidos geram tranquilidade de abastecimento para o resto do ano. Porém, por melhor que seja o período úmido, ele não será suficiente para o suprimento de mais de 1 ano, dado os níveis de geração e capacidade de armazenagem e consumo brasileiros.

Portanto, é preciso torcer para que haja chuvas todos os anos nos períodos úmidos. No período seco, não há como retomar os níveis de reservatórios, já que mesmo que chova o dobro da média, não haverá capacidade de se recuperar um reservatório de nível baixo.

Devo comprar energia, então, apenas nos períodos úmidos?

Não. O monitoramento dos preços deve ser constante para permitir que as oportunidades sejam corretamente capturadas ao longo do ano. Existem janelas que se abrem mesmo em períodos secos e que podem proporcionar ganhos importantes em termos de custos e sua empresa deve estar atenta a estes movimentos.

A Inter Energia é especializada no atendimento de consumidores livres e especiais no Mercado Livre de Energia e pode auxiliar em todo o processo de decisão de compra de energia, desde a criação de uma política de compras, passando pelo monitoramento e o detalhamento do melhor produto a ser contratado para o perfil de consumo da empresa.

Fale com a Inter Energia contato@interenergia.com.br para que possamos juntos desenhar uma metodologia de compra que capture oportunidades geradas ao decorrer dos meses.