Energia Incentivada ou Energia Convencional – Com ou sem desconto na TUSD?

Energia Incentivada ou Energia Convencional – Com ou sem desconto na TUSD?

Com a escalada de valor de spread da energia incentivada chamada i-5 (incentivada 50% de desconto TUSD), é possível acompanhar as diferenças de preços de energia entre as fontes incentivadas e convencional para verificar qual delas se encaixa melhor à situação de consumo e custo da indústria.

 Energia Convencional e energia incentivada: qual a diferença?

Energia Convencional é aquela que é gerada a partir de fontes convencionais tais como hidrelétricas e termoelétricas. O consumo deste tipo de energia é reservado para grandes consumidores livres, aqueles que possuem demanda contratada acima de 3.000 KW. Essa energia não dá desconto na TUSD (tarifa de transporte ou transmissão de energia) e tem maior liquidez no mercado livre de energia frente às energias incentivadas.

A energia incentivada é proveniente de fontes alternativas de geração tais como biomassa, solar, eólica e PCHs (pequenas centrais hidrelétricas). O incentivo vem na forma de desconto na transmissão de energia realizada pela concessionária. Este desconto é aplicado tanto para a geração quanto para o consumo deste tipo de energia.

Para garantir incentivos ao consumo de energia de fontes alternativas, os consumidores livres especiais (aqueles cuja demanda contratada esteja entre 500 kW e 3.000 kW) possuem desconto nas tarifas de transporte de energia, cobradas pela distribuidora. Cada fonte de energia tem um percentual diferente de desconto na TUSD, que pode ser 0%, 50%, 80% ou 100%.

Quais são os preços de energia convencional e incentivada?

A partir do momento que as fontes de energia incentivada garantem desconto de transporte na geração e no consumo, este desconto é refletido no preço de energia para cada MWh. Sendo assim, existe um chamado “spread” de valores em relação às diferentes fontes convencionais e incentivadas.

Porém, vale ressaltar que as concessionárias de energia possuem diferentes valores de transporte (TUSD) conforme resoluções da Aneelem reajustes anuais e, portanto, os descontos em reais para cada consumidor serão diferentes conforme a região e distribuidora, porém, o valor de spread entre as energias é muito próximo, independentemente da distribuidora dentro de um submercado.

Desta forma, a Inter Energia realizou alguns estudos que mostram como uma diferença de preços entre as fontes de energia convencional e incentivada podem trazer um custo total final mais interessante para o consumidor.

A imagem em destaque refere-se a cliente conectado à distribuidora AES Eletropaulo na modalidade de Tarifa Azul subgrupo A4 com energia de suprimento i-5 em abril/17.

Vejamos agora a simulação da opção de suprimento de energia convencional, SEM desconto da TUSD:

Desta forma, é possível ter cerca de R$ 17.200,00 mensais ou R$ 207.000,00 de redução de custo final de energia total (transporte mais energia) se houver um preço de troca de energia de R$ 20,00 por MWh.

A tabela abaixo mostra real a real como essa diferença pode ser alcançada, onde valores negativos significam economia. Lembrando que esta tabela de valores modifica conforme concessionária e perfil de consumo, é preciso realizar um estudo para cada perfil de consumo de energia incentivada ou convencional para que os parâmetros e os valores sejam os reais para cada consumidor livre ou consumidor especial.

Os valores de spread entre energia convencional e energia incentivada dependem de liquidez e disponibilidade de comercializadores, geradores e consumidores, porém, é uma alternativa que deve ser acompanhada no mês a mês para consumidores que desejam otimizar os custos totais com energia elétrica. Em alguns momentos há descolamento de preços de energia entre as diferentes fontes que podem ser vantajosos para o custo do consumidor livre e do consumidor especial na soma das contas da concessionária e do fornecedor de energia.

Gerenciando energia elétrica de forma pró-ativa

A Inter Energia realiza os estudos comparativos, dependendo das concessionárias de distribuição, e mostra o custo X benefício das alternativas. 

Além disso, na base de relacionamentos da Inter Energia, existem vendedores e compradores de energia de várias fontes, podendo haver uma oportunidade de se realizar Swap entre as energias convencional e incentivada que tragam benefício de custo final de transmissão e energia melhores para o consumidor.

Vale ressaltar que a opção de consumo de energia convencional atende apenas à consumidores livres com demanda contratada acima de 3.000 kW pelas regras atuais do Mercado Livre de Energia. Mesmo assim, no caso de consumidores livres especiais, existe a alternativa de consumir energia incentivada de diferentes fontes, podendo trazer o custo total de energia mensal a parâmetros menores, tornando mais eficiente a produção da indústria ou o custo fixo de shopping centers, por exemplo.

O cálculo de desconto na TUSD é um percentual entre 0% e 100% e a forma segura de saber qual percentual está sendo aplicado ao seu consumo está em conferir os registros de cada contrato para cada período contratado na CCEE. Uma auditoria independente nos registros da CCEE é importante para garantir que o percentual contratado pela energia está sendo efetivamente entregue mensalmente, uma vez que é prática de contratos de fornecimento de energia a RETUSD, quando o vendedor de energia se obriga a ressarcir o comprador em R$/MWh segundo a diferença de percentual de desconto aplicado no registro final da energia nas transações computadas na Câmara de Comercialização.

Portanto, a estratégia de contratação de diferentes fontes deve ser complementada com o acompanhamento constante das diversas opções de energia incentivada e energia convencional, uma vez que apenas modificando a contratação ou realizando o Swap com um comercializador, é possível reduzir boa parte dos custos associados à energia elétrica.


Ao invés de contratar a longo prazo o fornecimento de energia e “esquecer” do contrato até o vencimento, realizar ao menos trimestralmente uma auditoria e acompanhar as movimentações do mercado livre de energia torna-se imperativo para garantir o melhor custo x benefício da alternativa de energia escolhida.