O PLD e a Formação de Preço no Mercado Livre de Energia

O PLD e a Formação de Preço no Mercado Livre de Energia

O Preço de Liquidação das Diferenças – PLD é utilizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE para valorar as diferenças de energia contabilizadas no mercado de curto de prazo.

O PLD é calculado através de modelos matemáticos, o NEWAVE e o DECOMP. O preço é calculado “ex-ante”, ou seja, antes da operação real do sistema, com base em informações previstas anteriormente.

Além de que calcular o preço da energia em uma determinada semana, os modelos ajudam o Operador Nacional do Sistema – ONS na tomada de uma importante decisão, sobre o seguinte dilema:

Usar a água dos reservatórios no presente para gerar energia a um custo mais baixo, já que a água é um “combustível” gratuito? 

                                                                        ou

Utilizar mais as termelétricas a um custo operacional elevado para preservar os reservatórios, minimizando os riscos de racionamentos futuros?

Existe um ponto ótimo de utilização dessas fontes de geração, onde se mantem o risco de déficit de energia dentro de níveis aceitáveis, utilizando uma lógica econômica de geração (despacho), operando as usinas das mais baratas para as mais caras.

Os modelos utilizam como dados de entrada a previsão de vazões, a disponibilidade das térmicas e a previsão de carga. A partir dessas informações é possível encontrar o ponto ótimo de operação, auxiliando o ONS no planejamento do despacho (geração) semanal , definindo quanto de cada fonte utilizar naquela semana para atender a demanda de energia, no menor custo possível, minimizando o risco futuro de racionamento ou mesmo de apagão.

Mas, pra que serve o PLD afinal?

A energia é negociada no Mercado Livre por meio de contratos futuros, portanto com base na previsão de consumo futuro as empresas (consumidores) compram a quantidade de energia que estimam que irão consumir. Esses contratos podem ter vigência de um ou mais meses ou mesmo anos.

O infográfico abaixo, extraído da CCEE e atualizado até abr/17, mostra o perfil de contração dos agentes (empresas) que compram energia no mercado livre. Note que a maior parte dos contratos são superiores a 6 meses de fornecimento.

Esses contratos são negociados bilateralmente, entre um fornecedor (vendedor) e um comprador (consumidor). Eles funcionam como um hedge, uma proteção para ambas as partes, pois o preço, prazo, a quantidade, o reajuste, entre outros parâmetros, são previamente acordados por meio desses contratos. (Imagem em destaque)

Voltando ao PLD, a CCEE contabiliza mensalmente o volume de contratos e consumo de cada agente e as diferenças entre o contratado e o consumido é valorada ao PLD.

Exemplo: Um consumidor A contratou de uma usina eólica, para o mês de maio de 2017, o fornecimento de uma quantidade de 1000 MWh, mas consumiu apenas 800 MWh. Logo ele  teve uma sobra de 200 MWh. Esse excedente é valorado ao valor do PLD de cada semana que compõe o mês e por patamar de carga (leve, médio e pesado). Portanto o consumidor A ficou com um crédito a receber em junho na CCEE, pela parcela da energia contratada e não consumida no mês de maio.

Obs: Como hoje existe uma alta inadimplência na CCEE, é possível ceder (vender) esses excedentes no mercado para um comprador (SAIBA MAIS no post onde falamos dessa estratégia de venda)