É possível estocar vento. E isso não é uma piada!

É possível estocar vento. E isso não é uma piada!

Uma fala da então presidente Dilma gerou grande repercussão o ano passado em que ela se referia, em palavras não muito claras, à intermitência das fontes renováveis para a geração de energia elétrica, principalmente a eólica em substituição às grandes usinas hidrelétricas que podem estocar água para geração futura de energia.

Mas em Portugal, foi possível “estocar vento” para geração de energia futura nas chamadas usinas hidrelétricas reversíveis. Essas usinas possuem turbinas de geração e de retorno da água para o reservatório superior.

A energia eólica sendo obtida a partir de um recurso renovável, tem o problema da sua intermitência, ou seja, pode estar disponível quando a rede não tem necessidade de energia e não existir quando seria necessário, nos horários de pico, por exemplo.

Uma das formas de aproveitamento da energia produzida pelos aerogeradores nas horas de baixa demanda é a sua utilização nos sistemas hidráulicos, em que existem dois reservatórios, um que armazena a água para a produção de energia e outro colocado a jusante deste, permitindo a retenção da água turbinada e que pode depois ser bombeada para o reservatório superior, utilizando turbinas reversíveis. Esta água pode ser de novo turbinada quando a rede necessitar.

Apesar da energia gasta no bombeamento ser superior à que é gerada pela turbinagem, na verdade, há ganhos significativos, uma vez que estamos a utilizar energia eólica que de outra forma não seria aproveitada.

Portanto, não é possível por óbvio estocar o vento, porém é possível utilizar sistemas muito inteligentes de aproveitamento de energia gerada pela grande quantidade de vento para armazenamento de outros combustíveis, neste caso a água, para geração futura de energia.